Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

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Manteigas: ponto de situação, reflexão, testemunho e esperança

 
“São infinitos momentos do presente que nos mostram que não somos eternos”( escritos pessoais)

    Após debruçar os meus olhos em boletins municipais, folhear páginas de jornal, estar por Manteigas durante este ano e acompanhar ao máximo a vida pública da região e as questões mais pertinentes que têm afectado o Concelho, constato que Manteigas se vergou demasiado para se poder vislumbrar que em breve possa recompor a postura que lhe fora dada e conhecida em outros tempos. Repara-se que os chamados balões de oxigénio proporcionados pelas entidades com responsabilidade na região chegaram tarde e talvez nunca venham a dar fruto. De um modo rápido e sintético pode dizer-se que a população jovem existente é na sua maioria escolar e que existe um grande fosso populacional entre a faixa etária dos 18 aos 35 anos. A maioria da população situa-se portanto acima dos 35 anos e representa em grande parte a classe activa que resta.
    A falta de emprego e de políticas locais para assegurar os interesses da região provocaram um novo movimento de êxodo rural e de emigração. As esperanças de homens traídos pelas adversidades do presente alimentaram o sonho de partir e longe de Manteigas, aceitar os desafios colocados pela distância, saudade, ambição e realização pessoal e profissional. Manteigas é agora um ponto de partida e não um de chegada, a região um destino cada vez mais sazonal e cada vez menos um projecto de vida.
    Em 2005, no artigo “O desafio de ser eleito por 0.03%” afirmei que “Seria provocante que se tivesse só chegado aqui há 12 anos e não se oferecesse um futuro com uma validade sustentável. O futuro de Manteigas, prioritário, é que convirja para o desenvolvimento de acções estratégicas para fomentar o investimento no turismo e a partir dele, estabelecer as pontes necessárias a uma equilibrada e sustentada riqueza de recursos.” mas hoje, terei de dizer 15 anos. É a realidade, é o que se vê, é o que a vida da vila prova, é o que o manteiguense vê entristecidamente acontecer dia após dia.
    Como é possível, que durante estes anos todos, mandato após mandato e sendo o presidente com mais obra singular feita e melhor aproveitamento de recursos, não tenha conseguido convocar a Manteigas as bases da indústria turística que todos sabíamos ser o desafio fulcral?
    Não faço a mínima ideia se pretende um novo mandato, se tem projectos e ambições em Manteigas para Manteigas, o que posso dizer-lhe é que agradeço por tudo o que de bom fez pela nossa terra mas igualmente deixar-lhe uma reflexão: Manteigas é a imagem do beirão mais serrano, da gente que aceitou viver entre a adversidade natural, não menospreze as gentes e as suas necessidades e lembre-se que desde 1994 foi eleito em Sameiro. Manteigas há muito que não se identifica consigo.
    O tempo presente é um aliado da mente quando esta se socorre da imaginação porque só em momentos de crise ela superioriza o conhecimento. Podemos governar durante anos mas se não temos a capacidade de prover, prever e imaginar uma realidade local num tempo mínimo de um mandato não somos merecedores do poder e responsabilidades que o voto nos entrega nas mãos. Você soube ASSISTIR e REAGIR às alterações provocadas pelas conjunturas nacionais mas não soube AGIR em antecipação para responder a mudanças normais e que eram do conhecimento de todos. Ignorou os “avisos” negativos que a empresa Sotave transpirava e fez ouvidos moucos à realidade de uma viragem rumo a um investimento sério na área Turística.
    A qualidade de vida em Manteigas, as garantias municipais proporcionadas pelo cartão do idoso, pelo cartão júnior, pelos projectos municipais de beneficiação (discutível e muito problemática) não tem a mesma necessidade de ênfase que as obrigações municipais em assegurar que a população não saia do seu concelho? Qual a razão da forte emigração se a qualidade de vida em Manteigas é a melhor do país? Alguém anda a fazer dos manteiguenses o peão de um jogo de xadrez onde os reis sentados em redor do tabuleiro se regozijam de nada mais haver neste local mas tão e somente, um Parque Natural que atravessa o deserto habitacional da região que é Manteigas, e isso sim, ”representa” qualidade de vida. Ela já existia antes de haver quem quer que fosse a dizer o que todos já sabiam. A grande (e dispendiosa) diferença é que o Município faz cartaz disso e o alia à sua obra política, o torna um falso e barato chamariz turístico condicionando tudo a um factor e a uma matriz: não temos uma solução para Manteigas porque Manteigas promove-se pela qualidade de vida. Esta é a matriz turística, a matriz empreendedora da região, a base e o topo de uma pirâmide redutora do Concelho.
    Como é que é possível, que em 15 anos, não haja um plano de Turismo realizável e exequível dentro da micro escala em que Manteigas se insere e na macro escala em que a vila se inclui - Serra da Estrela. A verdade é que não há, não houve e não vai haver sinergias (efeito resultante da acção de vários agentes que actuam da mesma forma e cujo valor é superior ao valor do conjunto desses agentes, caso actuassem individualmente) deste Camarário nesse sentido por Manteigas. É muito importante que dentro de um ano os manteiguenses tenham em conta todos estes aspectos e nas urnas de voto tomem consciência de que Manteigas está farta de “mais do mesmo”, de que se votará num candidato que aprove Manteigas pelo emprego, pela mentalidade empreendedora perante o futuro, pela vontade de materializar um potencial Turístico. A vila não precisa de uma entrada em betão e de um jardim que representa a nua e crua alma do jardim que mora dentro daqueles que o conceberam. Não são necessárias obras de fazer encher o olho como os passeios vermelhos e os horríveis candeeiros que percorrem São Marcos ou a concretização do conhecido projecto da variante que elimina a circulação dos visitantes pelas ruas do interior da vila. Manteigas declina precisar de um presidente que possui, domina e alia a arte de bem falar para bem esconder o fracasso da missão empreendedora que nunca teve. Quando se fala de obras públicas, de obras municipais, quando se fala de realizações e cumprimento das necessidades de populações que se estendem pelos primeiros quilómetros do Zêzere é verdade que elas sobressaem, é sincera a transpiração de gabinete através da burocracia e da arte da política mas onde estão as pessoas para quem todas essas energias foram direccionadas? Onde está a realizar-se a juventude das próximas décadas para Manteigas, quem são os responsáveis que as gerações futuras irão reivindicar quando Manteigas nos próximos 5 anos ficar com metade da população que detém agora? Onde estarão, quando Manteigas perder serviços públicos e não públicos e for demitida de concelho? Onde estarão esses homens quando tudo isso suceder?
    Desafio o Sr. Presidente apresentar uma proposta de alteração dos preços da água num quadro de excepção tal como existe para o benefício no IVA das empresas do interior do país. Aceita-se com justeza o factor utilizador/pagador e um bem precioso como a água deve ser salvaguardado por tarifas que inibam o uso abusivo e a má gestão dos recursos hídricos mas vejamos o porquê de accionar o regime de excepção para Manteigas. É preciso reflectir, ponderar e averiguar os factores que estão em causa para o aumento das tarifas e indagar porque têm se ser pagos valores que a lei prevê e não obriga mas também, a razão que levou o município a impô-lo. Será o resultado de erros de negociação com as Águas do Zêzere e do Côa S.A.?
    A vila de Manteigas recebe água por gravidade e logo não voltará a reutilizar essa mesma água inversamente ao que sucede nas grandes cidades onde as estações de tratamento providenciam água imprópria para consumo em água potável. Quer isto dizer, que o manteiguense paga por um bem de custos mínimos de exploração um valor bastante inflacionado ao custo real e isso tem o nome de quê? O único nome que me ocorre é “receita” ou será lucro? Talvez os dois. Será obrigação camarária cobrar algo que não tem um investimento de exploração? Quem fez a instalação e suportou os encargos das infra-estruturas de água e saneamento das populações do Concelho não foi o Município? A exploração representa baixo custo porque a água é uma matéria-prima de fonte natural e diversa onde a gravidade lidera e só existiriam custos de exploração e transformação significativos se a mesma exigisse, por exemplo, o que matérias fósseis como o petróleo exigem. Manteigas na factura apenas deve pagar a manutenção e a utilização da quantidade consumida, como será então possível que as facturas disparem para valores entre os 60 e os 100%? Qual foi o serviço respeitante ao tratamento e manutenção da rede de águas e saneamento que inflacionou em igual proporção? Conhecido até ao momento nenhum.
    Em Setembro do ano de 2007 dirigi-me aos Paços do Concelho para apresentar uma proposta a um estágio do PEPAL (Programa de Estágios para a Administração Pública Local) para o ano de 2008. Em reunião com o chefe de gabinete do Presidente foi-me comunicado que a mesma seria encaminhada para o Vereador responsável, neste caso específico e tratando-se de intervenção em áreas do Turismo, Património e da Cultura o mesmo foi remetido para o Exmo. Vereador Dr. José Manuel Saraiva Cardoso. Na altura a resposta que obtive por escrito foi de que não seria possível realizar o estágio no Município de Manteigas pelo facto de o contingente de estágios profissionais estar preenchido no âmbito do Programa PEPAL 2007/2008. Sabendo desta razão continuei a manter conversações junto do executivo para futuramente, os estágios do PEPAL referentes a 2008/2009, contemplarem o projecto e o viabilizarem com a sua receptividade e esforço. Foi-me sempre comunicado que se as 3 vagas se mantivessem haveria a possibilidade de o estágio se concretizar porque era importante e de valor consumar a proposta.
    Em Maio do presente ano são conhecidas e publicadas as vagas disponíveis para cada Município bem como as áreas de desenvolvimento de cada estágio. A área em que poderia ser enquadrado (Área de História e Arqueologia – em que se inclui Arqueologia; História; Museologia; Património Arquitectónico, cultural, turístico, histórico; Inventário e Património) não foi contemplada pelo executivo, entendeu este privilegiar a área de Ciências da Informação e da Comunicação (imenso trabalho na área de Marketing e publicitação da qualidade de vida portanto). As opções são de livre escolha do executivo mas não arbitrárias, sem lei e respeito, sem regra e reconhecimento. Haverá poucos a oferecer o corpo ao manifesto para dar o seu contributo ao Concelho e por essa razão, aqui deixo o meu testemunho para outros que no futuro queiram fazer algo por Manteigas. Não posso deixar de mostrar grande desilusão pelas pessoas em quem confiei durante o processo, não só pelo estágio não se ter concretizado mas mais grave ainda, pelo facto de que abdiquei de outras oportunidades, recusei propostas aliciantes e no fim, traíram as obrigações a que se houveram comprometido e eu me havia proposto. Um simples NÃO e OBRIGADO dos responsáveis, bastaria para assumir compromissos profissionais em outras paragens e não dedicar as minhas forças e energias em algo que eu sozinho não posso consumar mas que outros, infelizmente, tiveram imensas oportunidades para o ter feito e nunca o fizeram (nem farão).
    Assim sendo e porque não acho legítimo expor uma situação sem apresentar a base da sua discussão, exponho a proposta por mim apresentada ao Executivo Municipal em Setembro de 2007:

Projecto de estágio

    “Num curto prazo este projecto pretende integrar-se na resolução de lacunas fortes da história do Concelho de Manteigas e da sua identidade. Pretende-se fortalecer os laços culturais entre comunidade e região bem como possibilitar ao estrangeiro um maior conhecimento da cultura, do espaço natural e da história da região. A urgência de se criarem vértices de conhecimento nos tempos actuais surge como uma resposta, dentro daquilo que são as possibilidades e limitações da região, em potenciar os pontos de convergência de um povo com o seu passado. É despoletando o caminho da historiografia que se constrói a identidade futura e se criam as pontes com o passado não permitindo que dele se desprenda a comunidade bem como, ao mesmo tempo, possibilitar-lhe que o presente contribua para uma constante reinvenção da mesma procurando oferecer-lhe formas, vias e maneiras de adaptabilidade às exigências dos tempos.
    Neste caso em particular, a partir de um projecto desta natureza, é possível oferecer à comunidade da região e a todos aqueles que procuram informação sobre Manteigas e o seu concelho, a oportunidade de descobrir e reinventarem eles, novas vias de exploração turística, ambiental, cultural e desportiva.

Objectos de Investigação:

- Entidades culturais da Vila de Manteigas

- Património cultural e religioso e consequente criação de informação pública (base de dados actualizada)

- Elaboração de um projecto com vista à criação de um museu em Manteigas

- Roteiros turístico-religiosos e turístico-biológicos

- Produção e assistência a eventos culturais dinamizando novas áreas da vila

- Criação de protocolos com entidades Académicas Universitárias com vista à divulgação e cedência de identidades em espaços comuns – intercâmbio de cultura e lazer (Campos - Montanha Universitários e realização de colóquios académicos)


Projectos a realizar:

- Elaboração de um inventário histórico das Igrejas do Concelho e elaboração de um catálogo de obras de arte sacra (colaboração de especialistas)

- Investigação e produção de informação histórica das principais capelas do Concelho

- Criação de roteiros e mapas das zonas de interesse histórico, natural, religioso e cultural.

- Elaboração de biografias das Centenárias Bandas Filarmónicas do Concelho:

 Banda Boa União

 Música Nova

- Criação de roteiros com pontos de interesse natural e gastronómico

- Levantamento de espólios de particulares e inventariação dos mesmos para catalogação de um futuro acervo museológico

- Dinamização cultural no período de Verão, nomeadamente do espaço da piscina da Sicó

- Possibilitar a divulgação e sensibilização do espaço “Coração da Serra da Estrela” criando receptividade a eventos de índole desportiva, cultural e de lazer de Associações Académicas Universitárias e outras de índole particular

    Desta proposta fazem parte igualmente objectivos de médio prazo e de longo prazo, os quais tenho em minha posse e compreensivelmente não entreguei porque lá diz o velho ditado, “não se põem os ovos todos na mesma cesta”.
    É por estas e tantas outras motivações do executivo que Manteigas caminha no sentido oposto ao do desenvolvimento e retrai a sua economia, atrai a desertificação, inibe os empreendimentos, afasta outros intelectos e reprime as suas gentes.
    Gostaria de saber se em algum momento dos seus mandatos reconheceu erros de acção, omissão e presunção (ainda não vi o campo de golfe, as piscinas aquecidas, a pista de gelo e… porque o Skiparque foi a menina bonita da Câmara e agora nem se toca no assunto?). Porque não os admite até hoje e não fala deles com a mesma humildade com que sempre falou e inaugurou à boca cheia os seus feitos e obras e porque continua a não responsabilizar-se por aquilo que é da sua competência e não cumpre, não empreende e não deixa outros empreenderem? A grandeza das pessoas, de sermos humanos e tangíveis pelo erro está na virtude de pensarmos sobre o passado e com discernimento criar novas formas de pensar o futuro, adaptarmos o método ao desafio e deixar que ele nos mude sem deixarmos de ser nós. Quem não provê não pode governar porque as necessidades são filhas do tempo e não filhas ou afilhadas da gente.
    Em 2005, ainda no artigo acima citado, escrevi “As populações têm de ser formadas para poderem ter capacidade de resposta perante um concorrente forasteiro à economia local e serem orientadas, para prospecções seguras de investimento” e com este alerta, abri a porta de uma responsabilidade na intervenção cívica entre mim e Manteigas. Esta proposta de estágio era dizer a Manteigas que estou presente e quero participar da sua Identidade, da construção de uma Memória histórica que o presente exige e na qual devemos explorar as referências e as características da região que foram esquecidas, perceber e estudar os problemas de fundo do Concelho, empreender e legitimar as necessidades actuais comungando da ideia e pensamento que me inspirou Vitorino Magalhães Godinho: “O pensamento humano tem procurado, sobretudo a partir dos tempos modernos, compreender não só o que é imóvel e permanente como também o que incessantemente se transforma e altera. Para uma penetração mais funda no real vemo-lo forjar instrumentos novos e mais eficientes com os quais perfura o bloco da experiência bruta e constrói o universo da experiência científica. Ferramenta tosca primeiro, mas que lhe permite desbastar e dar forma a ferramenta aperfeiçoada. E o ciclo não se fecha nunca.”
    Eu reconheço e entendo a urgência de cumprir e materializar o apresentado mas lamento que a percepção dos que de direito a poderiam tornar realizável não seja a mesma.
    Espero que o meu silêncio escrito chegue aos ouvidos das mentes dos que continuam acreditar que Manteigas vale a pena e merece que o futuro seja disputado por ela. Pelos nossos antepassados, pelas memórias que criámos neste vale, pelos que ainda lá vivem e por aqueles a que actualmente chamamos de “gerações futuras”, urge que os homens e mulheres que pertencem a Manteigas e estão ausentes pelo mundo sejam convocados a intervir. O alerta é real e são necessárias as vozes que tem peso ao ouvir-se, caso contrário compromete-se de uma vez por todas um futuro em que os sonhos e a esperança já nada sustentam.
    É preciso agir e tomar consciência que Manteigas também se realiza sempre que um Manteiguense diz BASTA! Que Manteigas não é vassala nem condado e que não há senhor que possa contra povo que não queira, porque Manteigas é o berço da Serra e é no berço que se transmite a força de renascer. Quando o homem sonha, o mundo não somente pula e avança, ganha a energia de uma vontade mais límpida, um novo querer, uma nova postura… e tudo na mesma dimensão: a de ser um serrano.

    “Manteigas é a minha vila, Coimbra a minha cidade e do Zêzere ao Mondego amo a minha Serra, berço do aconchego da alma e prisão libertadora do espírito. A ti regresso quando posso e a ti retornarei para um sempre, jamais um filho abandona a sua mãe.” (escritos pessoais)

    Um abraço grande a todos os Manteiguenses, pois são a razão de não me omitir, em especial a meus avós Alberto e Lucília, a razão de ser um filho de Manteigas.
 
João Pedro Marques Afonso da Silva
Licenciado em História, Pós-Graduado em Estudos Europeus
 

Nota: Este Artigo foi publícado no Notícias de Manteigas de Dezembro de 2008, foi também publicado neste blog a pedido do seu Autor.

publicado por granittuscaffe às 14:34
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